Entre os próximos dias 06 e 10 de agosto, acontecerá a XVI Semana da Filosofia da Universidade Federal do Espírito Santo. No dia de abertura (06), ministrarei o minicurso "Jornalismo como antifilosofia: a contribuição dos mass media para a formação de indivíduos fascistas". Já no dia 07, participará do evento Leonardo Boff, que fará uma palestra sobre os espectros do fascismo que nos rondam. Vale muito a pena participar! Para saber como submeter trabalhos, verificar a programação completa com os demais minicursos ou se inscrever, dê uma conferida na página do evento.
28/06/2018
11/06/2018
Os porquês de não torcer para o Brasil nesta Copa
Eu poderia me perder aqui entre os argumentos sobre a beleza embutida na raça do futebol Argentino; sobre o fato do CR7 ser um gênio acima da média dos demais gênios; ou sobre o ato revolucionário que carrega cada 'azarão' que derruba um gigante. Enfim, poderia explicar os motivos que me farão torcer para Argentina, Portugal e todos os 'pequenos', em ordem inversa de prioridade, nesta Copa. Também poderia me estender falando da lama que marca o futebol brasileiro e a CBF, do finado João Havelange (que sistematizou a corrupção dentro da Fifa) ao seu genro, Ricardo Teixeira, que fez a mesma coisa pelas bandas de cá; do condenado-por-corrupção-e-ladrão-de-medalha José Maria Marin ao afastado-por-corrupção-e-banido-do-futebol Marco Polo Del Nero. E desses todos ao atual gestor, 'continuidade da situação'. Poderia ainda dizer que sete-a-um pouco é bobagem e resumir tudo nesse vídeo daqui, da nosso maior craque (um menino mimado, artificial, chato pra burro e... acusado por corrução na Espanha!) dando seus pitacos em política:
Mas não, vou limitar meus porquês a dois dos meus campos de análise e estudo: Comunicação Social e Política. Já pararam para ver as publicidades da Copa? E os telejornais? Destaco a campanha do Itaú (patrocinador oficial da CBF) e o tom que predomina nos conteúdos produzidos pela Globo. Isolados como objetos, ambos não dizem nada, mas contextualizados dizem tudo. O que aparece sobremaneira é um nacionalismo cego e exacerbado, que traz na essência a ideia de "somos todos um". Basta olhar para a letra da música da campanha do Itaú. Não é preciso qualquer estudo semiótico mais profundo para identificar a predominância dos valores /nação/ /unidade/ /nacionalismo/ /superação/ /meritocracia/ (grifos meus):
Somos do tamanho do sonho que queremos ver
Um drible, que ninguém pode prever
Uma emoção que nos resume, uma paixão que nos une
Um Brasil que podemos ser
Um povo que quer acreditar de novo,
Que pode vencer, que fez por merecer
É mais do que torcer, é sobre mudar o jogo
E antes de botar a mão na taça, pôr a mão na massa, Brasil
E provar que dessa vez vai ser diferente
Pois quando a gente decide jogar o mesmo jogo
Ninguém consegue parar a gente
Mostra tua força, Brasil
E amarra o amor na chuteira
Que a garra da torcida inteira, vai junto com você Brasil
Eu vejo um Brasil só
Que luta com garra para ser cada dia, um pouco melhor
Eu vejo um Brasil só
Que faz valer o suor e sabe que unida a nossa torcida é muito maior
Mostra tua força, Brasil
E amarra o amor na chuteira
Que a garra da torcida inteira, vai junto com você Brasil
Mostra tua força, Brasil
E faz da nação sua bandeira
Que a paixão da massa inteira, vai junto com você Brasil.
Como sempre insisto, todo dito carrega não ditos de barbárie. E o que a letra não diz é o que exatamente devemos superar/esquecer. O golpe? Devemos esquecer que vivemos um estado de exceção? Devemos esquecer os cortes na saúde e na educação? A acentuação das desigualdades sociais e de classe? Que o maior líder popular deste país foi feito preso político? Em nome da "nação" (mesmo valor que levou a classe média às ruas em 2015 e 2016) devemos esquecer tudo e acreditar que o Brasil ficará melhor se vencermos a Copa? Que essa unidade vai nos tornar um povo melhor, capaz de vencer - pelas vias do trabalho e da meritocracia - qualquer adversidade?
Mas que balela!
E é na onda dessa lorota que damos tchau para a heterogeneidade. Esquecemos do golpe, esquecemos da miséria que avança, do "legado" que a Copa deixou no Brasil e aceitamos tudo quanto é "verdade" genérica: se o Galvão disse para odiar a Argentina, odiaremos... se a Globo disse para esquecer a violência que sofremos cotidianamente, esqueceremos... e se o Brasil ganhar a Copa, bom... aplaudiremos enquanto algum atleta rola a rampa do Palácio do Planalto para alegrar o espectro temeroso que assombra o referido imóvel. Vestiremos amarelo (outra vez!) e abriremos mão de tudo aquilo que nos diferencia em nome da festa do futebol ("pela nação e pela família brasileira": discurso igualzinho aos dos 'nobres' parlamentares golpistas).
Você pode me achar chato, tem todo o direito. Mas te faço um convite: tente se assumir na sua contradição. Porque não dá para suspender tudo por trinta dias em nome dos mesmos valores que fomentaram o golpe (só porque é futebol) e pronto. Afinal, futebol e política se discutem sim.
Mas não, vou limitar meus porquês a dois dos meus campos de análise e estudo: Comunicação Social e Política. Já pararam para ver as publicidades da Copa? E os telejornais? Destaco a campanha do Itaú (patrocinador oficial da CBF) e o tom que predomina nos conteúdos produzidos pela Globo. Isolados como objetos, ambos não dizem nada, mas contextualizados dizem tudo. O que aparece sobremaneira é um nacionalismo cego e exacerbado, que traz na essência a ideia de "somos todos um". Basta olhar para a letra da música da campanha do Itaú. Não é preciso qualquer estudo semiótico mais profundo para identificar a predominância dos valores /nação/ /unidade/ /nacionalismo/ /superação/ /meritocracia/ (grifos meus):
Somos do tamanho do sonho que queremos ver
Um drible, que ninguém pode prever
Uma emoção que nos resume, uma paixão que nos une
Um Brasil que podemos ser
Um povo que quer acreditar de novo,
Que pode vencer, que fez por merecer
É mais do que torcer, é sobre mudar o jogo
E antes de botar a mão na taça, pôr a mão na massa, Brasil
E provar que dessa vez vai ser diferente
Pois quando a gente decide jogar o mesmo jogo
Ninguém consegue parar a gente
Mostra tua força, Brasil
E amarra o amor na chuteira
Que a garra da torcida inteira, vai junto com você Brasil
Eu vejo um Brasil só
Que luta com garra para ser cada dia, um pouco melhor
Eu vejo um Brasil só
Que faz valer o suor e sabe que unida a nossa torcida é muito maior
Mostra tua força, Brasil
E amarra o amor na chuteira
Que a garra da torcida inteira, vai junto com você Brasil
Mostra tua força, Brasil
E faz da nação sua bandeira
Que a paixão da massa inteira, vai junto com você Brasil.
Como sempre insisto, todo dito carrega não ditos de barbárie. E o que a letra não diz é o que exatamente devemos superar/esquecer. O golpe? Devemos esquecer que vivemos um estado de exceção? Devemos esquecer os cortes na saúde e na educação? A acentuação das desigualdades sociais e de classe? Que o maior líder popular deste país foi feito preso político? Em nome da "nação" (mesmo valor que levou a classe média às ruas em 2015 e 2016) devemos esquecer tudo e acreditar que o Brasil ficará melhor se vencermos a Copa? Que essa unidade vai nos tornar um povo melhor, capaz de vencer - pelas vias do trabalho e da meritocracia - qualquer adversidade?
Mas que balela!
E é na onda dessa lorota que damos tchau para a heterogeneidade. Esquecemos do golpe, esquecemos da miséria que avança, do "legado" que a Copa deixou no Brasil e aceitamos tudo quanto é "verdade" genérica: se o Galvão disse para odiar a Argentina, odiaremos... se a Globo disse para esquecer a violência que sofremos cotidianamente, esqueceremos... e se o Brasil ganhar a Copa, bom... aplaudiremos enquanto algum atleta rola a rampa do Palácio do Planalto para alegrar o espectro temeroso que assombra o referido imóvel. Vestiremos amarelo (outra vez!) e abriremos mão de tudo aquilo que nos diferencia em nome da festa do futebol ("pela nação e pela família brasileira": discurso igualzinho aos dos 'nobres' parlamentares golpistas).
Você pode me achar chato, tem todo o direito. Mas te faço um convite: tente se assumir na sua contradição. Porque não dá para suspender tudo por trinta dias em nome dos mesmos valores que fomentaram o golpe (só porque é futebol) e pronto. Afinal, futebol e política se discutem sim.
07/06/2018
Lançamento do livro "Interfaces do Midiativismo"
Foi lançado nesta semana, por ocasião dos cinco anos das Jornadas de Junho, o e-book "Interfaces do Midiativismo", organizado pelo Antonio Augusto Braighi, pelo Cláudio Lessa e pelo Marco Túlio Câmara (Cefet-MG). A coletânea, que conta com prefácio do Muniz Sodré, traz em seus 51 artigos reflexões de alguns dos principais pesquisadores da Comunicação Social no país sobre novas práticas, objetos e metodologias de análise que sinalizam mutações na discursividade política surgidas a partir dos avanços tecnológicos ocorridos no âmbito das redes sociais online.
Tem tanta gente que admiro participando, que não vou citar nomes para não ser injusto. Humildemente contribuo com o artigo 14: "Do ensino à práxis: midiativismo como prática contra-hegemônica do jornalismo na sociedade excitada".
O lançamento oficial ocorreu ontem, na PUC Minas, no Encontro Anual da COMPÓS (veja aqui a lista completa de livros lançados no evento) e no Encontro Regional Sudeste da ALCAR.
Enfim, façam o download do livro completo, leiam, compartilhem! É de graça, olha que belezura! Meu capítulo na obra segue abaixo:
Tem tanta gente que admiro participando, que não vou citar nomes para não ser injusto. Humildemente contribuo com o artigo 14: "Do ensino à práxis: midiativismo como prática contra-hegemônica do jornalismo na sociedade excitada".
O lançamento oficial ocorreu ontem, na PUC Minas, no Encontro Anual da COMPÓS (veja aqui a lista completa de livros lançados no evento) e no Encontro Regional Sudeste da ALCAR.
Enfim, façam o download do livro completo, leiam, compartilhem! É de graça, olha que belezura! Meu capítulo na obra segue abaixo:
04/06/2018
XVIII Encontro Nacional da Anpof
Em outubro acontece em Vitória (ES) o XVIII Encontro Nacional da Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (Anpof). Participarei do GT da Teoria Crítica com o trabalho "Jornalismo como antifilosofia e a propagação do discurso fascista na Sociedade Excitada: uma análise crítica de charges em A Gazeta".
24/05/2018
Para não dizer que falei o contrário (versão 2018): ou sobre os golpes engatilhados
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i) Quando, na história deste país, vocês viram Globo (& cia) apoiando nas entrelinhas um movimento de trabalhadores? (Comparem o tom da cobertura de qualquer manifestação de professores versus o tom adotado desde ontem).
ii) Quando, na história deste país, vocês viram uma cobertura majoritariamente positiva de qualquer movimento popular? (Comparem a seleção de fontes - populares ou oficiais - para falar de manifestações estudantis versus a seleção de fontes para a atual greve).
iii) Por que o primeiro produto de interesse a esgotar, ser reajustado e pautar a mídia foi justamente o combustível?
iv) Por que a mídia tolera pacientemente a ausência de respostas das forças de repressão, tão "solícitas e sensíveis" ao seu apelo pelo "ir e vir" em outras situações?
E aí adiciono questões puramente objetivas (para além do jornalismo) para pensarmos mais.
v) Qual a capacidade de operação de um posto de combustível sem reabastecimento do fornecedor? O estoque não acabou rápido demais em muitos lugares?
vi) Vocês lembram que, em muitas cidades, transportadoras e associações de proprietários de postos de combustível financiaram juntos os paneleiros no golpe de 2016?
vii) Vocês já viram patrão distribuindo lanche para funcionário grevista, como A Gazeta mostrou hoje na hora do almoço? Sindicato patronal comprando a luta de sindicatos de trabalhadores? Papai Noel e Coelhinho da Páscoa?
viii) Não é estranho não ouvir nenhum "fora Temer", mas ver aos montes faixas pedindo "intervenção" quando a direita não tem nenhum candidato decente para as próximas eleições presidenciais?
Sei que tudo isso pode parecer teoria do caos ou brizolismo puro ("se a Globo for a favor, sou contra..."), mas ao fim é só uma leitura/hipótese possível: trata-se de um jogo de cena, com um desabastecimento que foi programado objetivando testar/preparar os níveis de tolerância da população para novos (e obscuros) golpes. O problema não é o Diesel como não era o preço da passagem. Posso estar errado (e que feliz seria!), mas o apoio cego das forças de esquerda a esse movimento me parece um equívoco tão inocente quanto foi manifestar solidariedade à paralisação dos PMs no ES.
22/05/2018
Alberto Dines: uma perda irreparável
Não é equívoco algum dizer que o Brasil vive uma crise sem precedentes no Jornalismo, cada vez mais convertido à jornalismo-de-jota-minúsculo. E aqui não me refiro à crise de credibilidade ou econômica (e essa, em sua proporção desmedidamente folclórica, me importa pouquíssimo!), mas à escassez do bom Jornalismo-de-jota-maiúsculo. A despeito de hercúleas tentativas contra-hegemônicas (cito como exemplo a Agência Pública e não menciono nenhuma ação “pós-massiva” para não ser injusto), esse anda em falta faz muito! Num contexto de morais bárbaras estabelecidas como valores-pátrios, somos espectadores de um tensionamento (anti)ético sem precedentes dos nossos (!?) maiores conglomerados de comunicação, que embasados numa licença pública com vigor ad aeternum, trocam afetos de colo de mãe com o judiciário escancarando um objetivo sempre presente, mas até então tácito: vale f*** com essa p*** toda de BraZil pela grana. É como se dissessem: “Danem-se as aparências e envoltórios, pois o compromisso social já naufragou faz é tempo e vocês aplaudiram com panelas”. Pois é. Tempos hodiernos de desesperança e desespero. Tempos em que a lucidez é tão ausente quanto o Jornalismo-de-jota-maiúsculo. E nesses tempos, perder uma figura histórica de luta como Alberto Dines é triste pra c***. Irreparável. Descanse em paz, mestre. Seguimos lutando por aqui, buscando benjaminianamente transformar a melancolia em ação.
14/05/2018
A repetição da história em "Fazenda Modelo", de Chico Buarque (V Semana de Letras do Ifes)
Resumo da Comunicação:
A repetição da história em "Fazenda Modelo", de Chico Buarque: uma alegoria válida para o Brasil pós-golpe/16
"Hegel comenta que todos os grandes fatos e todos os grandes personagens da história mundial são encenados, por assim dizer, duas vezes. Ele se esqueceu de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa" (MARX, 2011, p. 25). Replicada à exaustão por críticos e pelos marxistas mais ortodoxos, a célebre citação de Karl Marx ainda segue como potente pressuposto para a análise de nosso tempo, sobretudo quando consideramos o contexto de exceção e as inúmeras repetições e retrações históricas que marcam o Brasil após o golpe jurídico-midiático-parlamentar de 2016. No referido contexto, toma-se o livro "Fazenda Modelo" (1974), de Chico Buarque, escrito como alegoria à Ditadura Militar, como crítica possível ao Brasil pós-golpe/16. Nesse sentido, utiliza-se a Teoria Crítica da Sociedade para uma investigação hermenêutica da obra, desvelando diferentes continuidades entre os dois períodos que podem ser compreendidas a partir da "novela pecuária".
Para acessar a página completa do evento, clique aqui.
03/04/2018
O jejum de Dellagnol como caricatura do populismo midiático penal brasileiro
Há tempos que o jogo jurídico no Brasil não é mais protagonizado dentro dos tribunais, mas no coração das infinitas caixas-pretas (smartphones, tablets...) que carregamos por aí, retroalimentando-nos quase que ininterruptamente de pílulas textuais e audiovisuais - cada vez mais rasas e fugazes - que se multiplicam nos mass media. Do espetáculo produzido durante o julgamento do atleta famoso às oitivas de um ladrão de galinhas, em maior ou menor escala, os limites entre a produção das provas (e da verdade) dentro do processo judicial e dentro da apuração jornalística têm se confundido e 'contaminado'. A rigor, a produção de verdades acolhida pela grande imprensa tem significado ab initio a culpa dos réus, restando pouco a ser construído no rigor da lei. Não se trata, portanto, de nenhuma grande novidade da Operação Lava Jato.
Contudo, esse processo toma um novo contorno – mais cênico, talvez – na Lava Jato. Como numa caricatura, onde as imperfeições, os defeitos e os excessos são destacados para externar um valor crítico, a operação (e seus integrantes) tem contribuído para explicitar uma prática que defini tempos atrás como poupulismo midiático penal. O último dos exemplos dentro desse jogo foi registrado no último domingo de Páscoa, quando o procurador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dellagnol, afirmou que faria jejum pela prisão do ex-presidente Lula. Aqui não me cabe avaliar juridicamente a posição do promotor (não tenho competência para tal análise, já realizada com propriedade por diferentes juristas), mas apenas levantar uma questão: a ausência de limites entre o judiciário e o “quarto poder” não ajudam a atestar a falência da esfera pública habermasiana (que no final das contas é uma esfera pública burguesa)?
Sigamos.
Força, Lula.
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