03/04/2018

O jejum de Dellagnol como caricatura do populismo midiático penal brasileiro


Há tempos que o jogo jurídico no Brasil não é mais protagonizado dentro dos tribunais, mas no coração das infinitas caixas-pretas (smartphones, tablets...) que carregamos por aí, retroalimentando-nos quase que ininterruptamente de pílulas textuais e audiovisuais - cada vez mais rasas e fugazes - que se multiplicam nos mass media. Do espetáculo produzido durante o julgamento do atleta famoso às oitivas de um ladrão de galinhas, em maior ou menor escala, os limites entre a produção das provas (e da verdade) dentro do processo judicial e dentro da apuração jornalística têm se confundido e 'contaminado'. A rigor, a produção de verdades acolhida pela grande imprensa tem significado ab initio a culpa dos réus, restando pouco a ser construído no rigor da lei. Não se trata, portanto, de nenhuma grande novidade da Operação Lava Jato.

Contudo, esse processo toma um novo contorno – mais cênico, talvez – na Lava Jato. Como numa caricatura, onde as imperfeições, os defeitos e os excessos são destacados para externar um valor crítico, a operação (e seus integrantes) tem contribuído para explicitar uma prática que defini tempos atrás como poupulismo midiático penal. O último dos exemplos dentro desse jogo foi registrado no último domingo de Páscoa, quando o procurador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dellagnol, afirmou que faria jejum pela prisão do ex-presidente Lula. Aqui não me cabe avaliar juridicamente a posição do promotor (não tenho competência para tal análise, já realizada com propriedade por diferentes juristas), mas apenas levantar uma questão: a ausência de limites entre o judiciário e o “quarto poder” não ajudam a atestar a falência da esfera pública habermasiana (que no final das contas é uma esfera pública burguesa)?

Sigamos.

Força, Lula.

27/03/2018

Entrevista em vídeo com o saudoso Pena Branca (realizada em abril de 2009)


Acabei de encontrar o backup de uma pérola que achei que tinha perdido com o fim do péssimo Dzaí (site onde durante muito tempo hospedei o Voz da Viola). Trata-se da entrevista em vídeo que fiz com o saudoso e querido Pena Branca (se é que posso chamar de entrevista, já que passei a maior parte do tempo calado e/ou enfeitiçado com um ídolo tocando do meu lado, num cubículo que chamávamos de estúdio, mas mal cabiam três pessoas e um cinegrafista).

Lá se vai coisa de uma década da gravação desse vídeo e quase outra de saudade de uma das violas mais bonitas que esse mundão já escutou, então acho que vale compartilhar (ps. ignorem os trejeitos de um repórter à época ainda totalmente incomodado com as câmeras, sobretudo ao vivo). E sim, O Cio da Terra é uma das músicas mais bonitas (ou a mais bonita) da história da Música Popular Brasileira. É MPB. E é caipira.

Parte 01:

Parte 02:

Parte 03:

17/03/2018

Artigo na Revista Sala 206 (ISSN: 2318-7980)

Convergência infinita entre interagentes e conteúdo: um modelo de análise para a narrativa transmidiática seriada.

Resumo

Com a sofisticação das formas narrativas e o surgimento das ferramentas pós-massivas nas redes sociais online, identifica-se a partir da primeira década do século XXI um crescimento significativo no interesse do público por seriados, sendo o advento da Web 2.0 responsável por modificar e/ou potencializar a maneira pela qual os indivíduos consomem, participam e criticam estes conteúdos audiovisuais quando presentes na rede. Tomando tal assertiva, este trabalho teve como objetivo principal propor um modelo de análise capaz de verificar a relação entre espectadores-interagentes e conteúdo nos diferentes pontos das narrativas transmidiáticas seriadas. Partindo de uma revisão bibliográfica dos principais conceitos sobre o tema, realizou-se um estudo inicial na série The Walking Dead a fim de verificar a eficiência do método proposto.

Nota: O modelo de análise proposto nesse artigo, publicado na Revista Sala 206, é fruto do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) que orientei da Débora Cozer Aliprandi (atualmente mestranda em Comunicação e Territorialidades na Ufes), que topou o desafio de adaptar meu modelo para analisar narrativas convergentes no Jornalismo para produtos da Publicidade e do Cinema.



06/03/2018

Artigo na Revista de Estudos em Jornalismo (Portugal, ISSN: 2182-7044)

Jornalismo como antifilosofia e a propagação do discurso fascista na Sociedade Excitada: uma análise crítica de charges em A Gazeta

Emerson CAMPOS Gonçalves; Robson LOUREIRO.

Confira a revista completa (nosso artigo começa na p. 113):